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sábado, 8 de fevereiro de 2014

Uma Cidade que Corre...

Talvez para aquele que vem a Londres a passeio eles passem despercebidos, totalmente compreensível uma vez que quem esta aqui por pouco tempo já tem os olhos atraídos pela própria cidade. Já para quem caminha por essas ruas num passo mais atencioso é fácil notar os londoners que correm. E não são poucos, talvez todos!

E corre-se literalmente. Pessoas vão trabalhar correndo, ou pedalando, mas sempre em velocidade de atleta. Para entrar no clima há uns seis meses comprei minha bike, mas tenho que confessar que mesmo no meu maior esforço ciclístico ainda sou ultrapassado por senhoras inglesas...

Acontece que Londres, a cidade dos relógios, esta sempre correndo contra o tempo, e faz com que os novatos levem um tempo até entrar no ritmo. Lembro-me de nos primeiros meses chegar em casa a noite extremamente cansado de toda a correria de metrô, trabalho, aulas e ainda um sentimento que havia deixado muito para traz a ser feito. Levei um bom tempo para me acostumar com tudo, e acho que isso é devido ao hábito que tinha no Brasil de "deixar para depois" ou tudo para a última hora.

Penso que não sou o único brasileiro a ser assim, alias, acho o Brasil como país deixa tudo para depois, infelizmente.

O problema é que quando estamos em um lugar como Londres, ou entramos no ritmo, ou a vida passa tão rapidamente que provavelmente vamos nos encontrar estagnados e longe dos nossos sonhos. Conheço pessoas que vivem aqui há muitos anos e a única mudança que obtiveram foi ficarem mais velhas. Os projetos aos poucos foram deixados de lado e sobrepostos pela rotina, que é esmagadora. Sinto como se fizesse pouco mais de um mês que estou aqui, mas na realidade essa semana completei um ano de Londrino.

Como diz a música...

Time ask no questions, it goes on without you
Leaving you behind if you can't stand the pace
The world keeps on spinning
Can't stop it, if you tried to
This best part is danger staring you in the face

Sempre pensei minha vida dentro de um certo planejamento, mas aqui o planejamento do tempo se tornou fundamental. Sei quais manhãs, tardes e noites terei livres pelo menos pelas próximas quatro semanas, e sei que caso não me organize para usa-los sabiamente terei perdido uma oportunidade única. Se eu não acordar cedo fazer o que planejei para hoje, provavelmente não terei outra oportunidade de fazer essas coisas por no mínimo uma semana. Passei a simplesmente odiar procrastinação. Ok, ainda procrastino a louça para lavar, mas ninguém é de ferro.

Reclamamos que não temos tempo para fazer tudo o que gostaríamos mas não reparamos no tempo que perdemos fazendo absolutamente NADA, ou nada de importante. Dormimos demais mas não descansamos, ficamos muito tempo "online" mas não ficamos mais informados ou inteligentes com isso, perdemos tempo nos "chats" mas raramente ligamos para as pessoas realmente importantes em nossas vidas. Enfim, nos enchemos de hábitos que consumem um tempo extremamente valioso.

Felizmente eu tive a oportunidade de cruzar o oceano e vir para um lugar repleto de oportunidades e que fez perceber que se eu não souber correr para aproveitá-las, elas não vão esperar por mim. Essa mudança de hábitos e mentalidade é um processo diário, e admito que ainda há muito a ser feito na minha vida. Se eu quero viver toda a vida que me é oferecida eu preciso aprender a correr também... E a pedalar mais rápido!

Há muita vida lá fora!

Obs 1: a música que citei no texto é antiguinha mas muito boa, e vale cada frase na verdade!


Obs 2: Para pensar...



segunda-feira, 1 de julho de 2013

Diário de bordo: Mind the Gap...



Apesar de existirem mais de 8 milhões de Londrinos, Londres é conhecida por ser uma cidade de solitários. Talvez pelo jeito britânico de ser, talvez pelos dias chuvosos e cinzas, o fato é que as pessoas pouco se olham nos olhos e dificilmente conversam.

Fato curioso: sites de relacionamento são extremamente populares...

O engraçado dessa solidão compartilhada é que a cidade - como o organismo vivo que é - parece se preocupar com  cada um como se fosse um grande amigão de todos. Durante minhas primeiras semanas aqui, minhas únicas conversas em inglês "britânico" era com aquela voz camarada que me avisava quando descer do trem e que eu cuidasse para não esquecer nenhum dos meus pertences. Frequentemente eu conversava com a voz do trem, conversas bem interessantes ao meu ver.

Mas não fica só por aí. Quando você vai atravessar a rua, meio descuidado, olhando o celular, se depara com um aviso escrito no chão te avisando para olhar para o lado de onde os carros estão vindo. "Obrigado Londres, eu poderia ser atropelado!"... 

Todos os cuidados que a cidade tem com seus cidadãos e turistas são importantes, mas talvez o mais marcante (e o que certamente vende mais camisetas) é o famoso "Mind the Gap", escutado repetidamente a cada estação do metrô. Eu soube dele antes de pisar em solo inglês, quando um amigo usou essa expressão e traduziu para um abrasileirado "Te liga no vão!". Já em terras britânicas e passados alguns meses, aprendi que esse aviso tem muitos outros significados.

Um olhar simplista sobre o "mind the gap" diria que ele só nos lembra de prestar atenção no espaço entre a plataforma e o trem, afim de evitar acidentes. Entretanto, sabendo da personalidade plural dessa cidade, não consigo me contentar com essa explicação, e fico imaginando o que mais ela estaria tentando me dizer a cada vez que repete "mind the gap, mind the gap, mind the gap"...

Minha interpretação poética, mas realista, é que Londres tenta nos fazer lembrar de outros "gap's" da nossa vida, que não podem ser esquecidos e precisam ser preenchidos. Como aquele amigo preocupado que nos faz pensar honestamente sobre a coerência de nossas atitudes, Londres tem me dito para cuidar o vão entre o que eu falo e as ações que de fato eu tomo; o vão entre os meus sonhos e tudo que eu preciso ainda fazer para alcança-los; o vão entre o que todos acreditam como "vida perfeita" e aquilo que realmente me faz feliz.

Londres te deixa livre para listar os "gap's" de sua vida, que são diferentes de pessoa para pessoa, mas dia após dia a cidade insiste em te fazer refletir. Uma reflexão fundamental nessa terra que o tempo voa e que é tão fácil deixar o cotidiano sobrepor os teus sonhos... mas esse já é o tema para um outro post!



Para concluir, e como o inglês é um dos objetivos, andei escrevendo uns versinhos inspirado na resposta de um colega de trabalho a constante pergunta "Where are you from?". Ele respirou, pensou, e com sabedoria me respondeu "I'm from the same world of you!".


Poetry in english, simple as a beginner...


We are all the same


I've been walking around;

Learning and feeling more than I used to;
And after these weeks all that I found;
About people that's only one truth;
No matter what language you speak;
I'm from the same world of you.